Colho manhãs plenas em interrogações
As minhas roseiras despertam mais cedo
Meus olhos mais cansados, deságuam
No verde claro-infinito do capim-cidreira.
O vento ao leste, traz diferentes canções ao moinho
A chaleira apita a pressa do chá de maçã com canela
Na soleira, deixo minhas rotas e meus mapas antigos.
Lavo minhas mãos nas águas calmas do jarro de barro.
O sol agora ao centro, deixa-me com a terna sensação de azul-equilíbrio.
(Ainda tenho nos olhos a lucidez necessária)
A tarde vem suave pelas janelas, em luzes e aromas
Cássia de Java, cravo-da-índia, incensos
(silêncios de especiarias)
Não percebo mais minha estrela polar
e todas as preces que sabia.
Sobre a mesa longa,
Os mesmos lugares vazios.
O poema inacabado da noite passada
A lembrança do amor que não se fez
As cartas que não recebi por todas as estações...
Sobre a mesa longa
A chaleira apita a pressa do chá de maçã com canela
A mesma xícara de todos os dias
Onde sirvo-me numa entrega plena, completa
Num ritual todo íntimo
Como cabe à solidão e ao poeta.